10 months ago
Trecho do artigo de Lucian Freud para a revista Serrote
Os pintores que se recusam a representar a vida e limitam sua linguagem a formas puramente abstratas estão reprimindo em si a possibilidade de provocar mais que uma emoção estética.
Os pintores que, em contrapartida, se apropriam da vida como assunto principal, trabalhando com o objeto à sua frente, ou pelo menos com ele sempre em mente, fazem isso para traduzir a vida em arte de forma quase literal. O objeto deve ser observado com muito atenção: assim, dia e noite, o objeto - homem, mulher ou coisa- acaba revelando o todo, sem o qual a seleção em si não é possível. Essa revelação se dá por meio de alguma faceta da vida, ou da falta de vida - tal independência é necessária para que a pintura, com a intenção de sensibilizar, não apenas lembre a vida, mas inaugure uma vida própria, reflita a vida. Creio que seja necessário um conhecimento total da vida para criar uma pintura independente dela.
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